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Design System Copastur

  • Foto do escritor: Ana Paula Curtipassi
    Ana Paula Curtipassi
  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Atualizado: há 3 dias

Escalando produtos críticos com variabilidade controlada e governança


Papel: Líder de Design de Produto (UX/UI)

Responsabilidade: Estratégia, visão, governança e liderança do Design System

Contexto: Ecossistema de produtos financeiros e operacionais (CSO, Smart Client e plataformas internas)



Por que um Design System não era suficiente


Quando a Copastur iniciou a evolução de seus produtos digitais, rapidamente ficou claro que um Design System tradicional não resolveria o problema real.

Não se tratava apenas de padronizar botões, cores ou tipografia.O desafio era mais profundo:

Como escalar múltiplos produtos, com níveis distintos de complexidade e risco, mantendo consistência, velocidade e segurança — sem engessar a operação?

Sistemas financeiros e operacionais exigem densidade informacional, exceções frequentes e governança explícita. Um sistema rígido quebraria a operação. Um sistema flexível demais criaria caos.

Esse foi o ponto de partida da minha atuação como líder.



A tese que guiou o Design System

Desde o início, estabeleci uma tese clara para orientar decisões técnicas e estratégicas:

Um Design System só escala quando oferece variabilidade controlada dentro de padrões bem definidos.

Essa tese passou a ser o critério para:

  • Decidir o que padronizar

  • Onde permitir flexibilidade

  • Como evitar explosão de variantes

  • Como alinhar design, produto e engenharia

Ela se tornou um instrumento de governança, não apenas de UI.




Meu papel como líder

Minha atuação esteve concentrada em quatro frentes principais:


1. Direção estratégica

  • Definição da visão do Design System como infraestrutura de produto

  • Alinhamento com liderança de Produto, Tecnologia e Operação

  • Conexão direta entre decisões de design e KPIs do negócio


2. Arquitetura de experiência

  • Definição dos princípios estruturais:

    • Consistência sem rigidez

    • Clareza para contextos críticos

    • Escalabilidade como requisito, não consequência

  • Orientação sobre padrões de densidade, estados, hierarquia visual e feedbacks


3. Governança e processo

  • Criação de rituais, critérios de entrada e evolução do sistema

  • Definição de quando algo vira padrão e quando permanece exceção

  • Acompanhamento contínuo da adoção nos produtos


4. Desenvolvimento de pessoas

  • Mentoria direta do designer responsável pela construção do sistema

  • Validações estratégicas e direcionamento técnico

  • Garantia de autonomia com alinhamento claro de objetivos



O ponto de partida: fundações sólidas, mas insuficientes

O trabalho começou pelas bases clássicas:

  • Design tokens de cor, tipografia, grid e espaçamentos

  • Padronização inicial de linguagem visual


Essa etapa trouxe alinhamento rápido, mas também revelou algo importante:

as fundações resolvem consistência visual, não complexidade operacional.


O verdadeiro desafio apareceu quando entramos nos componentes mais complexos.



O dilema da variabilidade

Com o avanço do sistema, surgiram demandas legítimas dos times de produto:

  • Diferentes comportamentos para o mesmo componente

  • Contextos operacionais específicos

  • Exceções que não cabiam em um padrão único


Um pedido recorrente era a criação de inúmeras variações de componentes — especialmente botões e tabelas.


Aqui, meu papel foi mudar a pergunta do time:

Em vez de “quantas variações precisamos?”, passamos a discutir “quais variáveis realmente importam para o negócio e para o usuário?”


A solução: variabilidade como regra, não como exceção

A direção que defini foi clara:

  • Variabilidade, sim — mas explicitada, controlada e documentada

  • Nenhuma variação sem propósito funcional ou operacional


O uso de variáveis booleanas no Figma permitiu:

  • Combinar flexibilidade e padronização

  • Evitar duplicação de componentes

  • Tornar decisões visíveis e rastreáveis


Mais importante do que a solução técnica foi o modelo mental criado para o time.



A ponte com desenvolvimento

Desde o início, garanti que o Design System não fosse um artefato isolado do design.


Atuei diretamente na:

  • Conexão entre designers e front-end

  • Discussão de viabilidade, manutenção e escalabilidade

  • Decisão estratégica de adaptar uma biblioteca open-source como base


Essa escolha trouxe:

  • Velocidade de implementação

  • Padronização técnica

  • Redução drástica de ruídos no hand-off


O hand-off deixou de ser transferência e virou colaboração contínua.



Governança: mantendo o sistema vivo

Para mim, um Design System não é um projeto — é um organismo.

Implantei práticas de governança como:

  • Versionamento e histórico de mudanças

  • Documentação orientada a decisão, não só a uso

  • Roadmap evolutivo alinhado aos produtos

  • Critérios claros para inclusão, alteração ou depreciação


Isso garantiu que o sistema evoluísse sem perder coerência, mesmo com múltiplos produtos e squads.



Impacto no negócio

Os efeitos do Design System foram mensuráveis e estratégicos:

  • –85% no tempo de prototipagem(de semanas para dias)

  • Redução quase total de erros de hand-off

  • Aumento significativo de velocidade de entrega

  • Crescimento de tráfego, engajamento e usuários ativos em produtos-chave

  • Aumento da confiança de stakeholders na experiência digital


Mais do que eficiência, o sistema trouxe previsibilidade e confiança.



O aprendizado como líder

Este projeto reforçou uma convicção que levo para qualquer organização:

Padronizar não é limitar. É criar condições para que produtos, times e decisões escalem com qualidade.

Como líder, meu maior impacto não foi desenhar componentes —foi desenhar limites inteligentes, processos sustentáveis e uma visão compartilhada.



Conclusão

O Design System da Copastur é a materialização da minha forma de liderar design: estratégia clara, governança explícita, foco em pessoas e impacto real no negócio.


Não é uma biblioteca. É uma infraestrutura de crescimento.


 
 
 

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