Plataforma White Label de Eventos
- Ana Paula Curtipassi
- há 7 horas
- 4 min de leitura
Da venda manual de um evento específico à criação de uma solução escalável para múltiplos formatos
Contexto
Em 2025, a Copastur passou a operar uma quantidade crescente de eventos corporativos e por adesão, com diferentes níveis de complexidade. Um desses eventos foi a MLS (Mentoring League Society), iniciativa da Trinca — formada por Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro — voltada para empresários e empreendedores, envolvendo milhares de participantes.
Até então, a operação de eventos era altamente manual, com processos fragmentados, grande risco de erro operacional e um tempo elevado entre a definição do evento e o início das vendas. Cada novo evento exigia esforço técnico significativo e dependência direta do time de tecnologia.
O Problema
A operação enfrentava três dores principais:
Processos manuais e pouco confiáveis, que geravam retrabalho e erros
Baixa velocidade de lançamento, impactando diretamente o potencial de venda
Dependência constante de TI, mesmo para ajustes simples de regras, fluxos ou informações
Inicialmente, a necessidade era clara: viabilizar a venda de um evento específico. Porém, ao observar o volume e a diversidade dos eventos, ficou evidente que resolver apenas um caso isolado não seria sustentável.
Expectativa Inicial
No início, a expectativa era criar um fluxo funcional e eficiente para a venda do evento MLS, contemplando:
compra de ingresso
possíveis combinações com aéreo, hotel e badge
regras específicas de venda e participação
O foco estava em colocar o evento no ar com rapidez, garantindo uma boa experiência para o cliente final e reduzindo o esforço operacional interno.

Mudança de Visão: Do Evento Único ao White Label
Durante o desenvolvimento do primeiro fluxo, surgiu uma pergunta-chave:
“Se precisarmos repetir isso para dezenas de eventos diferentes, vamos construir tudo do zero todas as vezes?”
A resposta levou a uma mudança estratégica: em vez de criar apenas um fluxo fechado para a MLS, passou-se a desenhar uma plataforma White Label de eventos, capaz de atender múltiplos formatos, marcas e regras, sem depender de desenvolvimento a cada novo briefing.
Essa decisão transformou o projeto de uma entrega pontual em um produto escalável.
Objetivo do Produto
Criar uma plataforma que permitisse:
Autonomia para o time de Eventos, que passaria a configurar seus próprios fluxos
Flexibilidade total, para diferentes tipos de evento (por adesão, corporativo, híbrido)
Redução de esforço técnico, mantendo padrões e consistência
Experiência clara e confiável, tanto para operação quanto para o cliente final (B2C)
Usuários Envolvidos
Equipe de Eventos Copastur
Responsável por criar, configurar e gerenciar eventos sem dependência técnica.
Clientes finais (B2C)
Usuários que compram ingressos, pacotes e serviços associados ao evento, dependendo do formato.
Abordagem e Processo
O produto foi construído de forma incremental, sprint a sprint, evoluindo conforme as necessidades reais surgiam.
O primeiro protótipo foi explorado com apoio de IA (Figma Make), buscando velocidade de experimentação.
Com o aumento da complexidade e necessidade de refinamento, o projeto migrou para um modelo mais aberto e manual, permitindo maior controle sobre regras, variações e exceções.
Não houve um fluxo fechado em Miro desde o início. O desenho do produto aconteceu a partir do uso real, da operação e das dores identificadas no dia a dia.
A Solução
O resultado foi uma plataforma White Label de eventos, onde o time pode configurar:
marca e identidade visual
tipos de evento
estrutura de venda
regras de ticket
combinações com aéreo, hotel e badge
permissões e status
visualização de métricas e desempenho
Tudo isso mantendo padrões de experiência, mesmo com alto nível de flexibilidade.
O evento MLS foi o primeiro grande uso da plataforma, funcionando como prova real da solução — não um piloto isolado, mas um caso concreto de aplicação.
Minha Atuação como Líder de UX/UI
Atuei como responsável por:
Visão da experiência do produto (UX e UI)
Priorização de escopo e roadmap, equilibrando urgência e sustentabilidade
Alinhamento entre Eventos, Negócio e Tecnologia
Mediação de decisões quando surgiam demandas de customização excessiva
Um dos principais desafios foi dizer não a certas exceções para preservar a escalabilidade do produto, garantindo que o White Label não se tornasse uma coleção de soluções únicas difíceis de manter.
Resultados e Impactos
Redução significativa da dependência do time de TI para criação e ajustes de eventos
Aumento da velocidade de lançamento de novos eventos
Maior autonomia operacional para a equipe de Eventos
Estrutura reutilizável para diferentes formatos e clientes
Base sólida para evolução contínua do produto
Mais do que números isolados, o impacto esteve na mudança de modelo operacional.
Principais Aprendizados
Este projeto reforçou uma convicção importante:
Produtos não evoluem quando são construídos a duas mãos apenas.
A maturidade da solução veio da:
entrega coletiva do time
confiança no processo
decisões pensadas com calma, mesmo sob pressão
interação real entre áreas
busca constante por entendimento comum antes da execução
O maior aprendizado foi entender que liderar design é criar clareza, alinhar expectativas e garantir que todos caminhem na mesma direção — não apenas desenhar interfaces.







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